Condomínios Colaborativos

Já não é de hoje que uma casa é substituída por um prédio. Onde morava apenas uma família com no máximo 4 ou 5 pessoas depois da transformação centenas de pessoas irão habitar verticalmente o espaço.

Lembro-me que algum tempo atrás eu vi isto acontecer no meu bairro e a minha grande indagação era sobre a capacidade versus a demanda, ou seja, se uma família de 4 pessoas utilizava o saneamento, a água e os demais recursos, agora com a habitação vertical e com o aumento da demanda, haveria uma necessidade de expansão da capacidade, maximizando as necessidades de recursos, ou apenas exaurindo-os.

Ao mesmo tempo que vi em muito lugares a história como patrimônio material ser simplesmente apagada, que hoje inclusive tenho dificuldade de lembrar do que havia naquele lugar. Ao mesmo tempo que muitas histórias imateriais foram também apagadas. Por outro lado podemos pensar que novas histórias serão desenvolvidas naquele espaço e na grande maioria das vezes em construções verticais estas são descritas do corredor para dentro dos apartamentos.

Com a aceleração do cotidiano, a velocidade das necessidades, mesmo que por vezes muito mais fúteis do que úteis, ou o medo da insegurança faz com que a cada dia o conglomerado vertical de gente, um sobre as cabeças dos outros, tenham um relacionamento cada vez menor e mais frio.

Eu infelizmente moro em condomínios verticais, acima de mim tem mais 4 famílias e a cada dia tentamos ser mais colaborativos com os que ali convivem. Este pensar vem da tentativa da humanização do nosso espaço, ao mesmo tempo na busca de uma utilização de forma coletiva, inclusive para preservá-lo e criar novas histórias.

Certo dia fui ao bicicletário do condominio e observei mais ou menos uma centena de bicicletas penduradas, algumas estavam no chão, pois não havia mais suporte na parede. Muitas pelo seu estado estavam ali a muito tempo, pois inclusive mostravam marcas de ferrugem. Outras tinham cara de terem sido usadas recentemente, mas confesso que estas eram a minoria.

Aquela imagem macabra, pois parecia uma casa abandonada me fez lembrar de uma locação que fiz de uma bicicleta em Roma, aquelas que se coloca uma moeda e você tem o direito de andar até chegar a próxima estação. Comecei a pensar então se não seria interessante o meu condomínio começar a pensar no conceito Bike Sharing, ou seja, o compartilhamento de bicicletas.

Utilizando deste conceito teríamos uma melhor utilização do espaço, ao mesmo tempo que os cacarecos não ficariam se acabando no tempo e os recursos seriam otimizados, possibilitando assim uma utilização mais consciênte. Como todos os moradores não saíriam de bicicleta ao mesmo tempo, a não ser que seja promovido um passeio ciclístico esta opção é extremamente viável.

Navegando pelo Google descobri que já existe no Brasil construtoras que estão propondo este conceito em seus empreendimentos, mas tenho certeza que aqueles que ainda não o possuem deverão em pouco tempo aderir a este movimento.

Outras modalidades de colaboração podem ser propostas sempre com foco no bem comum. Uma horta poderia ser também uma ação interessante, ou um pomar, uma biblioteca, um café para aqueles que são condominios maiores, além de ações pontuais que podem ser desenvolvidas por intermédio de eventos, cursos, atividades físicas e esportivas ou outras manifestações que tenham como objetivo a construção coletiva e a colaboração entre as pessoas.

scuola di ravello“Por um mundo melhor” era a frase estampada na camiseta da Scuola di Ravello, na qual tive o prazer de cursar em 2007, no Sul da Itália. A frase vinha acompanhada de uma flor com pétalas brancas e uma amarela. A assinatura era de Oscar Niemeyer, um dos criadores dos mais belos empreendimentos do mundo.

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