Ei Dudu, quanto vale o teu IPhone?

Neste semestre criamos um grupo de professores e amigos que diariamente compartilham ideias e soluções para o mundo durante o almoço. Não tem horário marcado e nem mesmo assunto pré-definido, o povo vai chegando e ao mesmo tempo o encontro define a temática do dia, mas sempre com o intuito do convívio da boa mesa, que por vezes não é tão boa, já que nos encontramos em uma praça de alimentação e o barulho é de confundir os pensamentos. Como diz minha mulher quando me liga no meio do almoço: “já estais no trem?”, diante do barulho que por vezes existe.

Como disse o povo vai chegando e sempre aquele que chega primeiro escolhe uma mesa que comporte toda a equipe. Como se fosse uma escalação de um time de futebol sempre o lado direito na ponta da mesa é deixado para o Prof. Marcelão, pois além de ser grande escuta melhor do ouvido esquerdo. No centro sempre se reunem os mais magrinhos e menores, mas que neste caso todos, exceto o Prof. Tiago  ainda não passou da casa dos 80 kg. Então a escalação fica sempre completa, com um economista estiloso, um técnico de natação tomador de chocoleite, outro de basquete em cadeiras de rodas, um diretor de federação, um organizador de eventos ancioso (que é o meu caso); a,  e não poderíamos esquecer de Dudu o nosso personagem, além de alguns outros colegas que volta e meia dão o ar das vossas graças.

Dudu é um cara pós-industrial de uns vinte e poucos anos, quem sabe ainda não chegou nos 25, formado em uma boa escola de administração, com viagens internacionais, falante de outros idiomas, pós-graduação em marketing, roupas de marca, barba sempre para fazer, cabelos revoltados e trabalhador de uma grande empresa.

O nosso Geração Y tenta com uma convicção de dar inveja a qualquer um vender o seu IPhone aos membros da mesa todos os dias, principalmente ao seu tio, o Prof. Maurício. A percepção é que ele estuda antes do encontro do almoço para ter boas ideias e ao mesmo tempo tentar alcançar o seu intento.

Muitas e muitas vezes entre as piadas sem graças e os cafés ele tenta entrar na conversa e vender o aparelho. Um dos integrantes pergunta sobre o valor do equipamento, outro fala que não vale o que ele está pedindo, conversam sobre custo-benefício; e, assim nos divertimos testando o Dudu,  já que grande parte de nós temos telefones e não nos importamos se é um modelo ou outro. Seria como se Dudu vendesse carne para vegetariano.

Outra ação bacana do nosso trainee de almoço são suas anotações no bloco de notas. Todas as vezes em que sai mesmo que sem querer alguma frase, ditado ou citação de alguns dos membros da mesa ele pega o seu telefone que está a venda e registra a frase.

Estes dias lhe disse que tinha que dar crétido ao Professor Carlão para que não usasse uma frase que não era sua. Algo que é muito comum nos dias de hoje. Usa-se sem dar crédito e passasse por bacana estudioso, mas na verdade é apenas um repetidor de falas. Mas este não é o caso do nosso trainne de almoço.

Tem sempre uma resposta para tudo e uma ansiedade danada, assim como eu também tenho em alguns encontros, reflexo desta geração líquida como diria Zygmund Balman em seu livro Capitalismo Parasitário. Ao mesmo tempo que compartilha e aprende novas informações nos ensina como lidar com esta geração que está muito a frente do nosso tempo e que é tão desapegada a qualquer coisa. Um dia querem uma coisa, no outro já e outra totalmente diferente. Falta foco.

Então Dudu, quanto vale o teu IPhone? Ultimamente tem um valor muito maior do que você imagina, pois a cada dia nos temos discutido mais e ao mesmo tempo te desafiado a pensar fora da caixa. Isto tem um valor que nem nós imaginamos.

Entre chocoleites, picolés de milho, cafezinhos, piadas sem graça, que são apenas para nos fazer ir embora Dudu e todos nós temos um aprendizado sobre gestão, relacionamento humano, estratégia, economia, esporte e principalmente felicidade, tema dos últimos encontros.

Devemos ser vistos como os alienígenas da praça de alimentação, já que sempre estamos rindo muito, conversando bastante, almoçando com calma e nos divertindo com o que acontece no cenário, muito diferente daqueles que engolem a comida de forma voraz, sem conversar, apreciar a amizade e trocar experiências, assim como fazemos com Dudu.

Com tudo isto vale dizer que é necessário deixar fluir, nos permitir ao convivio e a degustação não apenas da comida, mas principalmente da companhia dos amigos.

E para finalizar, alguém pode informar ao Dudu que amanhã estaremos lá na mesa lhe esperando; e, teremos toda a paciência do mundo para responder as perguntas sobre o maldito IPhone, que inclusive já está quebrado e ele continua achando que vale sempre mais do que um novo recem saido da fábrica.

Anúncios
Galeria | Esse post foi publicado em Prateleira Virtual e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s