Trabalho e Prazer: múltiplas relações

“A idéia que nascemos livres e iguais é em parte verdadeira e em parte enganosa; na realidade nascemos diferentes, mas perdemos nossa liberdade tentando ser iguais aos outros”
David Riesman

O trabalho e o prazer são dois aspectos que sempre permearam a vida humana em todos os momentos de sua existência, bem como os diversos modos de produção. Em qualquer alternativa, a percepção do trabalho e o prazer se manifestava com base na sociedade em que o homem vivia. Creio que pensar o trabalho e prazer seja se suma importância para o desenvolvimento das ações em nosso cotidiano, principalmente o brasileiro, visto que, as constantes transformações reveladas pela aceleração, dinamismo do mercado e competitividade fazem com que a gestão e seus procedimentos seja adaptados a cada dia, semana, mês ou ano.
Atualmente, presenciamos grupos de países que se destacam pela produção de informações e conhecimento, que geram produtos intangíveis agragados de valor, estética, design e prestação de serviços, turismo, cultura; outro formado por modelos produtivos predominantemente industriais, gerando produtos ou partes destes com base na mão-de obra e no trabalho fabril determinados pelo tempo e pela velocidade de produção; outros, que predominantemente desenvolve produções agrícolas, na qual o trabalho se manifesta mecanicamente e é determinado pela ação do homem e da natureza; e, por fim, países que baseam suas ações relacionadas a extração de recursos hídricos e energéticos e na sua biodiversidade, baseados principalmente nas suas fontes naturais e posicionamento geográfico no planeta.
Se pensarmos no trabalho pós-industrial tema deste pequeno artigo e como base no que apresenta o sociólgo italiano Domenico De Masi, faz-se necessário entender que este propõe uma alteração de modelo mental da socidade, o qual se contrapõe ao de produção industrial, visto que, busca redefinir posturas do homem frente suas ações cotidianas de trabalho, lazer, família e relacionamento social; e, principalmente, no prazer; do usufruto dos momentos, de forma que estes possam ser agregados de significados. Esta transformação interior deve ser compartilhada entre todos os atores do cotidiano – governantes, empresários, intelectuais, artistas e outros. Um senso de valor crítico e criativo a permeia.
A ação produtiva no modelo pós-industrial é desprovida de divisão de tempo, de espaço, família, trabalho, prazer, estudo, mas baseada na mescla de todos os fatores componentes da vida, na aqual as dimensões da vida individual e social são vistas simultamentamente. Neste sentido, a alteração de pensamento requer de gerentes, gestores e líderes um desapego do pensamento agrícola ou industrial, já que, se o desenvolvimento das ações produtivas estão relacionadas ao modelo pós-industrial, mas o pensamento é agrícola ou industrial gera-se uma anomaliaou um híbrido dos modelos produtivos, dificultando assim, um poscionamento de mercado, a gestão e desenvolvimento de pessoas, a criativdade no processo produtivo, a estética eo design, a inovação. Afinal, o pensamento industrial esta baseado na linearidade, na cadeia de montagem, na padronização, no espaço e tempo determinado.
A realidade das empresas brasileiras vincula-se principalmente as suas origens, a empresa familiar, na qual todos faziam tudo e, principalmente, o trabalho braçal. Com a evolução do mercado e o desenvolvimento das empresas, a organização em sua grande maioria cresce mais do que a mentaldiade do seu fundador, cujo pensamento, muitas vezes, ainda permanece no modelo industrial, ou seja, do fazer, do executar, esquecendo-se do planejar, criar, gerar estética, significado, ou seja, da gestão, trasncendendo o âmbito da execução, visto que muitas vezes o prazer estava realciaonado a construção do trabalho realizado com seu suor ou com suas proprias mãos.
A transformação do modelo mental para pela alteração das variáveis de personalidade, seja no âmbito objetivo (racionalidade e habilidade) que ocorre por meio da combinação, reflexão, análise e comprovação; seja no âmbito subjetivo (opinião, emoções, sentimentos e atitudes)manifestando-se com no apelo emotivo e na imersão em uma nova realidade – atmosfera; e ainda, as necessidades e desejos que são reflexos das transformações das variáveis subjetivas e objetivas.
Com um olhar nestes aspectos é que a cada dia as empresas investem no capital humano, envolvendo o objetivo, o subjetivo, as necessidades e desejos individuais e coletivos, que se mesclam a estratégia organizacional, aos ritos, crenças, missão, visão e valores, acrescidos a cultura projetada pela e para a empresa por intermédio de seus colaboradores. O desenvolvimento de programas de outdoor education, imersões de executivos em outros mercados, transferências para determinadas regiões ou países, programas de team building e outras ferramentas que possibilitam a geração e mudança de pensamento e comportamento, conduzem o colaborador a uma ocasião de trabalho e prazer unidos em um mesmo momento, juntamente com o desenvolvimento da criatividade individual e coletiva, de maneira espontânea, lúdica e prazerosa.
Estas ações fazem com que o trabalho seja provido de prazer e que o prazer possa contribuir para o trabalho, ou mesmo, seja trabalho: é que o entendimento do trabalho como algo mesclado a todos os demais aspectos da vida, e desprovido de tempo e espaço, faz com que o trabalho e o prazer sejam unos.
Não seria correto pensar que todos os países ou todas as empresas poderão ter estes tipos de trabalhadores ou poderão aliar trabalho e prazer, visto que, para cada pós-industrial, ainda necessita-se de alguns industriais ou agrícolas. É impossível negar que os mentes-de-obras não necessitarão dos mãos-de-obras. Nem mesmo é correto pensar que o prazer é algo proibido ou que se vincula especificamente ao carnal, ou mesmo, que o trabalho se apresenta como um instrumento de tortura, ou um castigo, que a desaceleração é inexistência de competitividade, que a contemplação não é trabalho e que não competir é inferiorizar-se. Mas, também é difícil falar de prazer em um trabalho alienante, enfadonho, empobrecido, repetitivo, no qual o único pensamento é da necessidade de um tempo livre.
Cada situação e cada modo produtivo requerem um pensamento específico, o difícl é entender como uma organização que possui os três modos produtivos pode se posicionar diante das diversas nuances de cada modelo e das diversas formas de pensar que cada momento requer. Creio que a resposta esteja na formação de grupos criativos, que possam aliar as diversas realidades e traçar diretrizes para as ações a serem desenvolvidas nas empresas e manifestadas no mercado, em níveis transversais e longitudinais. Ao mesmo tempo que geram trabalho, geram prazer, conhecimentos, produtos, serviços, conceitos.
Cumprir tarefas, prazos, criar, produzir, inovar, curar esteticamente, conhecer, reconhecer, desenvolver, virtualizar-se, divertir, controlar, motivar, tornam-se desafios aos gestores do mundo pós-moderno, no qual a relação trabalho e prazer acompanhamseu cotidiano, suas relações, suas manifestações, tornando-os livres, iguais e diferentes.
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