Aluga-se um Cérebro

Você já viu as promoções daquele tipo de serviço que fala de aluga-se um marido? Pois é. Eu também. Neste mundo corporativo contemporâneo na qual o capital humano está cada vez mais sendo valorizado e as pessoas são aquilo que elas sabem; e, mais aquilo que fazem com o que sabem, por que não adianta apenas ter o conhecimento, se não há experiências, habildiades e atitudes que possam compor suas ações e suas possibildiades de realizações tanto no trabalho, como na vida.

As locações de cérebros são realizadas desde o inicio da nossa história, visto que em determinados momentos o cérebro era escravo, em outros era elitizado e no mundo capitalista  a utilização tem realmente o processo de aluguel. Vamos então as considerações para tentar explicitar esta questão de escravidão, locações, etc.

Quando estive visitando o sítio arqueológico de Pompéia na região Centro-sul da Itália, em uma das conversas com o arqueólogo Filippo Petti, perguntei: Quando os romanos invadiram a Grécia, o que fizeram com os gregos que eram homens-livres? Para escalrecer, os homens-livres em sua grande maioria eram aqueles que tinham o direito de pensar, ou seja de construir tudo aquilo que ainda usufruímos, como a democracia, a política e tantas outras variáveis da nossa vida em sociedade.

A pergunta cabia para o momento por que estávamos no jardim da casa de um dos mais abastados homens de Pompéia e tinhamos na réplica (pois as originais estão no Múseu Arqueólogico di Napoles – um espetáculo) dos afrescos na pareade representações gregas.

Neste momento a resposta foi: os romanos não eram cretinos. sabiam que os gregos tinham muito mais conhecimento, então, cada família abastada romana tinha em sua casa um “tutor” grego para que este pudesse orientar a educação dos filhos. Lembro que esta forma de aluguel era escravagista.

Hoje temos o contrato de trabalho, que na verdade faz com que tenhamos uma ” locação” de cérebros, que muitas vezes são vista como aquisições de cérebros. Então, neste momento cabe a sabia frase de Vinícius de Moraes que dizia: … ” que seja eterno enquanto dure”.

O mais bacana para o locatário, ou seja aquele que paga pelo cérebro é que as competências deixadas pela massa cinzenta ficam alocadas na empresa. Lembro-me muito bem que quando fui aluno do mestrado e cursa a disciplina de Gestão do Conhecimento, brincávamos com a professora dizendo que gestão do conhecimento é quem conhece quem, a memória do computador, ou mesmo uma boa agenda telefônica. Mas isto era algo apenas para descontrair, porém em determinados momentos vale muito, principalmente o quem conhece quem.

as competências instaladas, como se, diz nas organziações são os acúmulos de cérebros e suas sinapses, já que não adianta ter o cérebro e não ter conexões, já que são elas que fazem pensar, repensar, analizar, conhecer e reconher. Aqui cabe mais uma passagem. Na minha defesa de mestrado que falava sobre qualidade de vida no trabalho e estraégia empresarial, onde em dado momento trazia em seu conteúdo os ativos intangíveis, o professor Dr. Maurício Lima, hoje um amigo e um grande parceiro de cérebro, perguntou-me algo assim, já que não me recordarei da pergunta em sua íntegra: as pessoas são como produtos, que ao longo do tempo perdem sua qualidade, ou possuem um prazo de validade? De pronto respondi que quanto mais faz, mais se especializa, quanto mais vivências, mais experiências, mais auto-confiança, que em determinados momentos podem ser perigosas. Para finalizar a resposta dissem que alguém só possui um prazo de validade determinado se tiver qualquer tipo de sequéla psicológica ou mental, ou mesmo física no cérebro que cause estas duas, como um AVC (acidente vascular cerebral) por exemplo. Estes podem afetar aquilo que o cérebro tem de melhor para oferecer.

Outra forma de apropriação de cérebros é por meio de consultorias, ou seja, se não tenho um cérebro ou cérebros que possam me auxíliar, contrata-se externamente na crença de que a apropriação legítima, pois se paga por ela, possa gerar resultados positivos. Isto ocorre quando aqueles que compraram o conhecimento colocam em prática em suas ações cotidianas.

Uma forma de turbinar o cérebro é colocá-lo para funcionar constantemente; e, para isto o processo de educação permanente, que no caso empresarial se chama de educação corporativa ajuda por meio de cursos, palestras, workshops e outras ferramentas, possibilitando uma melhora cerebral.

Existem algumas organizações que ou não gostam dos seus cérebros ou gostam de fatiá-los, como se faz na aula de anatomia, visto que os dispensam ou mesmo os reduzem a cerebelos, ou seja, àqueles que conduzem os movimentos.

Ok! Os cérebros estão por toda a parte, alguns maiores, outros menores, com mais conexões outros com menos, alguns quimicamente alterados, outros alterados apenas pela vida e pelos estímulos que receberam. O que ainda não falamos é que cérebro ocupa espaço, tem corpo, alma, sentimentos, olhos azuis, vontades, desejos e necessidades, senta em uma cadeira, interage com pessoas e define o destino de empresas e pessoas que estão diretas ou indiretamente ligadas a ela.

Pense também que quando o cérebro deixa seu conteúdo em algum lugar ou para alguém, leva o conteúdo daquilo que experienciou, ou seja não tem data de validade, mas tem um poder que mesmo os cientistas ainda não conseguiram desvendar.

Caso você esteja disposto a fazer uma locação, fico à sua disposição.

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